Infraestrutura Inteligência Artificial Soberania Estratégica

Do “PowerPoint de Inovação” ao Colapso Real: O Brasil na fila de espera da Inteligência Artificial.

Relatórios de sustentabilidade aceitam tudo: “vanguarda digital”, “resiliência”, “futuro conectado”. A realidade física, no entanto, não lê PowerPoint.

O caso recente da ENEL em São Paulo é mais do que um transtorno urbano; é o sintoma de uma fratura exposta na nossa capacidade de pleitear relevância no século 21. Enquanto a narrativa corporativa vende inovação, a operação real falha no básico: entregar elétrons de forma contínua.

Não é azar, nem apenas “mudança climática”. É falta de CAPEX em infraestrutura de base (como o enterramento de redes) versus a maquiagem do marketing.

O Sonho da “AI Factory” vs. A Realidade da Poda de Árvores

Existe uma discussão — ainda que tímida — sobre transformar o Brasil em um polo de “AI Factories”. Não apenas data centers consumidores, mas complexos que gerariam riqueza real, emprego industrial qualificado e soberania tecnológica. Um verdadeiro projeto de nação que poderia substituir a lógica do assistencialismo pela dignidade do emprego de alta tecnologia.

Mas como convencer o capital global a instalar infraestrutura crítica de bilhões de dólares em uma região onde a estabilidade energética é derrotada por uma tempestade de verão? Inteligência Artificial não é nuvem etérea; é hardware pesado, refrigeração industrial e consumo de energia ininterrupto.

A Rota de Colisão: 2026-2028

O problema maior, contudo, não é o que deixamos de ganhar hoje, mas o que não conseguiremos comprar amanhã.

O mercado global de hardware caminha para um funil de escassez brutal entre 2026 e 2028. A produção de chips de alta performance e memória HBM será quase totalmente absorvida por contratos prioritários nos EUA, Europa e Ásia. Quem produz a tecnologia priorizará quem paga mais, em dólar, e quem assina contratos de longo prazo.

O Brasil não cumpre nenhum desses requisitos.

Sem fábricas locais e sem moeda forte para disputar o leilão global de componentes, seremos empurrados para o fim da fila. O risco não é apenas “ficar atrasado”, é o apagão funcional. Nossas indústrias podem se tornar tecnologicamente obsoletas não por falta de vontade, mas por falta de ferramenta física para rodar os modelos do futuro.

Não existe revolução digital apoiada em infraestrutura analógica. Antes de vendermos o Brasil como o futuro da computação cognitiva, precisamos resolver a engenharia do século passado.

Afinal, quer entender o que é escassez? Pergunte a qualquer um dos dois milhões de lares que a Enel deixou no escuro porque os “ventos estavam fortes”.

© Copyright 2026 | NSeven – Comunicação Empresarial | Membro do Google for Startups Cloud Program